domingo, 15 de fevereiro de 2009

A diarreia


É normalmente na época das cerejas que se costuma brincar com "as dores de barriga", que dão origem a grandes sprints às casas de banho...

Aí não há nada como tomarfurica = forrica
forrica = diarreia


Ou então temos os comprimidos para matar as fezes que saem do rabo....



....Sem nos dar tempo de mais nada!!!...


A diarreia afecta toda a gente, uma vez por outra, geralmente em consequência de alguns alimentos ou de água contaminados, e por vezes também quando se verificam alterações na rotina diária, principalmente quando se muda de ambiente.
As crises normalmente desaparecem ao fim de um dia ou dois, com ou sem tratamento, só com a ajuda de uma dieta à base de cozidos e grelhados, evitando comer qualquer tipo de lacticínios ou gorduras.
Em situações mais demoradas aconselha-se a tomar UL-250, o antigo Ultra-Levure, que é um antidiarreico e normalizador da flora intestinal.

Quando a diarreia demora mais de dois dias, e se houver cólicas abdominais, vómitos ou temperatura, deve consultar-se o médico com alguma urgência para tentar diagnosticar a causa da mesma.

Não esquecer beber sempre bastante água, para evitar a desidratação, e manter a dieta até tudo normalizar.

A prisão de ventre



Outro grande mal do dia a dia é sem dúvida a prisão de ventre.
A correria do dia a dia, a vida sedentária e a comida de "plástico" (fast food) são factores que contribuem para o mau funcionamento dos intestinos, com a agravante de que na maioria dos casos se bebe muito pouca água.
Isto leva a que se recorra à farmácia em busca da solução mais eficaz.

Aqui, tal como no pedido anterior, o Pursennide é o escolhido!

Depois temos a hipótese dos clisteres...




Ou vaselina e um termómetro...

Esta é uma das alternativas utilizadas essencialmente nos bebés!


Também há quem se entregue à nossa decisão e peça apenas


....Purga/laxante???...


Em último desespero
Klean-Prep - solução para lavagem gastrointestinal, que obriga a beber 4 litros de água, recomendada na preparação de alguns exames, em que há necessidade de ter os intestinos bem limpos.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Comichão aqui... comichão ali...


Concordam que é uma das situações mais desagradáveis que nos pode acontecer, principalmente se estivermos em sítio público!...
Ainda se é uma simples alergia ou picadela...
... Em que Fenistil ou mesmo um Acaril Bial resultam, está tudo bem!

Agora imaginem se as coisas se complicam, isto é, se as comichões são em sítios menos próprios...

Sim estamos a falar de parasitas dos orgãos genitais!!!...

Já raramente se fala neles, mas eles andam por aí...
Eles mesmo, os "chatos"!...

Antigamente, era frequente, os homens na tropa, apanharem estas epidemias, mas, por estranho que pareça ainda hoje surgem... e o pior, é que não são problema exclusivamente masculino. Por vezes também as mulheres se queixam do mesmo...

É evidente que tudo isto já acontece muito raramente. Os cuidados de higiene evoluíram significativamente, nestes últimos anos, facto que veio impedir a proliferação destas pragas.
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As comichões também aparecem frequentemente entre os dedos. Nas mãos, por uso de detergentes ou outros produtos abrasivos, nos pés por transpiração excessiva ou até de pé de atleta.
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A transpiração também incomoda noutros sítios... onde ficam cortados e "escairados"...Daí ser necessário "uma bisnaga para lhe butar nas brilhas para não cecortar"...

Referiam-se ao Cetavlex, creme à base de cetrimida, muito utilizado em acamados, após o barbear e a depilação e até nas assaduras dos bebés.
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O hemorroidal e seus tratamentos

Nestes meios de gente simples, há um certo pudor em chamar as coisas pelos seus nomes, umas vezes por vergonha, outras por ignorância, mas o que importa é fazer-se entender...Nerucanal = Nupercainal

A queixa era problemas de hemorroidal!!!


Mas o melhor mesmo é dizer tudo sem medos:

Cria uma pomada para por no cu almorrial, almorrodias


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Para aliviar este mal, também é utilizada tintura de iodo. Umas gotas em água fria e é só banhar localmente.
Tintura de iodo ou tintura de ódio, ou mesmo só titora!...

domingo, 4 de janeiro de 2009

O motivo da minha ausência...





As imagens falam por si...
Já perceberam que "fugi" uns semaninha com o meu filho até NYC.
Muito frio... uma gripe... mas foi muito bom!...

Quanto às Estórias... em breve estarão de regresso com mais um capítulo.

UM 2009 FANTÁSTICO!...


Brindemos a 2009!...

Pensem no que fizeram, bem ou menos bem, no que ficou por fazer, no que não chegaram a concretizar.
Pensem essencialmente que podem fazer diferente e MELHOR!

Vamos à luta por um 2009 fantástico!

Há sempre uma alternativa!...

Para todos vós, envolvido em muito carinho, o meu voto de
um 2009 fantástico!

Que seja cheio de saúde e paz... o resto... a gente corre atrás!...;)

sábado, 13 de dezembro de 2008

O gozo e suas vias


A "via por onde urino", referida no capítulo anterior, lembrou-me um episódio engraçadíssimo:

Uma cliente estava a ser atendida e pedia uma pomada ou qualquer coisa, que a aliviasse, porque não suportava a comichão na "boca do corpo"...
Outra senhora, que aguardava a sua vez, sorrindo, diz-lhe que não conhecia aquele termo, porque sempre lhe chamou a via por onde urinava...
Resposta pronta da outra:
- Para isso chame-lhe a "via do gozo"... já que é por aí que ainda temos algum prazer!...
A gargalhada foi geral, como devem imaginar, apesar de sabermos que uma "via" nada tem a ver com a outra!...

Amigo Dr........ Agradeço envie aquela lavagem para o pénis pois só arde na ponta e retem a urina

Nos homens a via do gozo não se apelida de boca do corpo, mas também eles têm problemas, e quando "o pénis arde na ponta e retem a urina" não deve ser nada agradável, daí a necessidade de algo para lavagem...

A gonorreia ou blenorragia é uma doença transmitida sexualmente que tanto pode afectar o homem como a mulher.

Perguntam agora por que estou a falar nesta doença?!?...

Vou contar-vos mais uma história, pois nos meios pequenos do interior, não é com este nome que ela é designada!... E por tal desconhecer passei mais uma vergonha!

Entra um cliente na Farmácia que, visivelmente atrapalhado pelo facto de estar uma mulher presente, neste caso eu, pede ao meu colega qualquer coisa para um "resfriado" que tinha apanhado numa ida à cidade.
Muito prestável, vou buscar vários anti-gripais para ver qual o pretendido...

Asneira!!!!!! Grande risota!... E eu sem entender nada!...

Perante a minha cara inquiridora e zangada, o meu colega, ainda gozando comigo, esclareceu-me então que o cliente não estava resfriado de constipado, mas sim tinha apanhado um "esquentamento", pois tinha ido "às meninas" onde contraiu a doença.
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

As ténias e as lombrigas



As lombrigas são desde há muito um grande problema.
E o pior é que elas não escolhem idades...
Não imaginava eu que as atrevidas pudessem sair pela boca!...

Para reforçar esta história posso contar-vos outra idêntica:

Uma nossa doente e cliente habitual queixava-se frequentemente do mesmo problema, insistindo que até as sentia a picar na garganta...
Já tinha tomado muita coisa mas nada lhe fazia efeito...
Nesse dia levou mais um anti-helmíntico para, mais uma vez, ver se deitava fora "aquelas malvadas"...
Na semana seguinte, volta à farmácia toda satisfeita, dizendo que tinha conseguido deitar várias lombrigas fora e, para nosso espanto, tira um frasco, do saco que trazia consigo, exibindo com orgulho uma enorme lombriga que tinha conseguido puxar da garganta...
- Eu não lhe dizia que as sentia a picar?!...
- Aqui está a malvada!...
Repetia enquanto insistia para que olhássemos...

Não foi fácil convencê-la a guardar a sua relíquia, era quase um troféu conquistado, que tinha que forçosamente ser exibido. Os contemplados tinhamos sido nós e seguidamente o seu médico!




Como podem confirmar, é um facto as ditas "bichas" saírem inteiras. Com ajuda de comprimidos ou de xarope, doce de preferência, é preciso é que elas venham cá para fora!...

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Recomendação:
- A fim de evitar contaminações, é aconselhável que este tipo de tratamento antiparasitário seja feito em simultâneo por todos (família e animais) que coabitam no mesmo espaço.

sábado, 29 de novembro de 2008

O vinho e as vindimas




Outono... Vindimas...
... começa a agitação...

Há que preparar depósitos, tanques, pipos, cubas, etc.

É necessário:
- Produto para lavar os pipos...

Vendi muita soda cáustica, avulso, e também potassa, para esta operação. Quando as vasilhas, pipos e tonéis apanhavam bolor ou tinham tido vinho toldado, havia necessidade de desencascar todos os resíduos, para evitar que a colheita seguinte pudesse ser afectada. Felizmente que a evolução trouxe o Hosbit e o Kaplon, já embalados, que vieram facilitar a vida. Só é necessário aumentar ou diminuir a dose em função do tipo de lavagem que se pretende.

- Se faz favor, quero ácido para banhar o depósito...
- Olhe que ele é novo!...

E então??...
Lá pesamos nós 100 gramas de ácido tartárico para cada litro de água a utilizar, com a recomendação de aplicação com uma trincha, como se fosse pintar o depósito.
Neste caso, como o depósito é novo, é necessário deixar secar a primeira aplicação e repetir a operação, para que não se venha a notar o "sabor" a cimento.
Normalmente o cálculo da quantidade necessária de ácido fazia-se perguntando quantos litros de tinta seriam precisos para pintar o referido tanque ou depósito. Quaisquer dois ou três litros eram quase sempre suficientes.

A propósito destes bilhetes posso esclarecer que o ácido tartárico e o metabissulfito de potássio, são utilizados para a desinfecção e conservação do vinho, misturando-se ao mosto quando as uvas são pisadas e antes de começar a ferver.
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Convém ter muita atenção com o metabissulfito, pois se for misturado já iniciada a fervura do mosto, esta pode parar e, estraga-se tudo!...

Quando o metabissulfito não é posto ao pisar das uvas, já sabemos que iremos fazer "papéis", para pôr em "bonecas de pano" que, antes de batocar os pipos, irão ser mergulhadas no vinho e depois deixadas suspensas.

Estes papéis, para quem não sabe, são pequenos embrulhos feitos em papel costaneira, dobrados seguindo as normas das "boas práticas" farmacêuticas.

Batocar é o nome dado ao colocar dos batoques, que são aquele tipo de rolhas grandes próprias para pipos e tonéis.

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Curiosidades:
- 1 Grama de metabissulfito para cada 10 litros de vinho.
- 6 Gramas de ácido tartárico para cada 10 litros de vinho.
- Cada cesta ou poceiro dá mais ou menos 20 litros de vinho.
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Mais uma vez reduzi o número de bilhetes deste capítulo..., mas, posso dizer-vos que no livro vão encontrar, distribuidas por todos eles, doze maneiras diferentes de escrever metabissulfito!!!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A drogaria e suas drogas

Por estranho que pareça também, na Farmácia existia a secção de drogaria...

... Das anilinas ( amarela para o chão e castanha e preta para o calçado) à creolina...
... do

... óleo de risso???
Até lembra rissóis, mas não, não é nada disso...

Era mesmo óleo de rícino, neste caso para pôr nas botas e sapatos de pele que, na falta de sebo para as ensebar, eram esfregadas com este óleo para as impermeabilizar.

O óleo de rícino também é utilizado para preparações de exames médicos, para limpar os intestinos, para um melhor diagnóstico. É um método intragável, mas eficaz. Aconselho, a quem tiver que tomar um daqueles frasquinhos, que tenha logo por perto um bom copo de sumo de laranja ou café para cortar a gordura e o sabor horrível do óleo na garganta.
...
Era e ainda é na Farmácia que se vendem naftalina e cânfora utilizadas para pôr dentro dos roupeiros ou malas, a fim de evitar a traça.

A naftalina também pode ser utilizada, imaginem, para matar as toupeiras. Não, não tentando acertar-lhes com as bolas, mas sim introduzindo-as nos buracos que elas vão minando na terra. Também resulta encher esses buracos de água, mas não sei dizer se elas morrem afogadas ou pura e simplesmente fogem para bem longe...

Tanto a cânfora como a naftalina eram vendidas à unidade, o que nos deixava um cheiro magnifico o resto do dia... Era engraçado ver as clientes a fazer as contas de quantas bolas, ou pedras iam necessitar em função dos armários, malas e gavetas. Agora já temos tudo embalado, o que evita o contacto directo com o produto, e, portanto não se fica a cheirar a anti-traça!...

Um pedido muito frequente era:

- um garrafo de ácido para soldar...

Pretendiam o ácido clorídrico, também conhecido por muriático, muito utilizado pelos serralheiros para soldar zinco e estanho.

A propósito de ácido... neste caso súlfurico...

- Sabem que ele é "macho"???...

Um cliente pede-me o dito ácido para desentupir canos, e como eu o alertei para o perigo de deitar água directamente em cima, podendo salpicar e provocar queimaduras, ele responde-me:

- Não se preocupe minha senhora, eu sei que é perigoso, ele é "macho", trabalha por cima...

Imaginem a minha cara!...
Estamos sempre a aprender!
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Pois é... só pretendemos 500g de perborato de sódio, utilizado como branqueador, essencialmente na roupa branca, quando adicionado ao detergente das máquinas de lavar roupa.

Também para a roupa nos era solicitada goma para engomar. Falo da goma crua, que era vendida em pequenas quantidades. Bastava dissolver um pouco em água, mergulhar nesta os paninhos ou toalhas e deixar secar um pouco até serem passados a ferro para, então, obter aquele bonito efeito das rendas e bordados mais em relevo e encorpados.

Além da goma crua existe ainda a goma adragante ou alcatira, usada para fixar as próteses dentárias. Agora já existem vários produtos para esse efeito, tanto em pó como em creme, que, como é óbvio, levaram a que esta caísse em desuso.

Para finalizar, não posso esquecer a goma arábica que serviu durante anos e anos para fazer a cola com que, por exemplo, se colavam as etiquetas dos medicamentos nas receitas.

- "Remédio" para o bicho do feijão?!?

- Quero veneno para o bicho do milho e do feijão... tem é que me arranjar dois "garrafos"..., um para a arca do milho e o outro para o feijão.

Este, para mim, foi dos produtos que mais me custou a manusear. Falo do sulfureto de carbono, que tem um cheiro horrível!

Hoje, felizmente, isto já passou à história; já existem pastilhas para esse efeito, mas "no meu tempo", tínhamos que arranjar frascos de vidro (normalmente aproveitávamos os de Martini, vazios, do café mais perto...), para posteriormente lavar em série e encher com o sulfureto, que empestava toda a Farmácia e todos nós.
Esses frascos eram colocados dentro das arcas ou dos sacos onde estavam os cereais, destapados ou com cortes na rolha de cortiça, ou sem rolha mas com um pano atado à volta do gargalo, para o sulfureto se ir evaporando lentamente.
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Perante isto, já devem ter percebido que todos os produtos que agora se compram devidamente embalados e rotulados, já foram vendidos avulso por todas as Farmácias. Da benzina à vaselina, da aguarrás (essência de terebentina) ao óleo de amêndoas doces...

Curiosidades:
A água destilada era destilada na própria Farmácia!...
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O álcool puro ia para a farmácia em bidões de 100 litros, que tinham que ser despejados para frascos de vidro, para depois ser vendido avulso. Essa melindrosa operação era normalmente feita por aspiração através de um bocado de mangueira, tentando desperdiçar o menos possível de álcool, mas essencialmente evitando a sua chegada à boca!
Já o álcool desnaturado ia em embalagens de 25 litros, mas o processo tinha que ser o mesmo do álcool puro, correndo os mesmos ou mais riscos!

Felizmente que, para o bem-estar de todos surgiram os produtos químicos devidamente embalados, evitando todos estes riscos até chegar às mãos do consumidor final.